PF continua investigações sobre tentativa de homicídio contra professora e esposo indígena

A professora Elisângela Suruí, foi vencedora do prêmio nacional educador nota 10 neste ano
Publicado em: 05 de Dezembro de 2017

PF continua...

A polícia federal continua investigando a tentativa de homicídio contra o casal de liderança indígena da etnia Suruí, a  professora Elisângela Suruí e seu marido Naraymi Suruí, ocorrido por volta das 19h30 de quarta-feira (29) de novembro, na estrada que liga Cacoal  à terra indígena.
Segundo o setor de comunicação da Polícia Federal, as investigações continuam e a polícia poderá se manifestar ainda nesta semana.


Tentativa de homicídio

A tentativa de homicídio ocorreu na noite de quarta-feira,  29 de novembro, na estrada que liga Cacoal à terra indígena. O casal voltava para a aldeia em uma moto, quando começaram os disparos de arma de fogo. Ninguém foi atingido.
Em entrevista, o cacique Naraymi Suruí diz acreditar que os autores dos disparos, são madeireiros que tentam lucrar com a extração ilegal de castanhas. 
No fim do mês passado fotos e vídeos feitos pelos índios, registraram um grupo armado liderando  caminhões carregados com toras de castanheira, dentro da terra indígena sete de setembro, dos Paiter Suruí. Poucos dias depois do registro, o casal sofreu a tentativa de homicídio.

“Quando ele atirou, eu caí por cima da moto, eu contei três tiros que ele deu em minha pessoa” ,conta o cacique Naraymi Suruí, sobre o atentado.
Segundo a educadora Elisângela Suruí, quando os disparos começaram, o casal acabou caindo em um barranco, e isso dificultou que os tiros acertassem os dois. Porém os criminosos ainda teriam descido da moto em que estavam para continuar o ataque.  “O meu cunhado, irmão do Naraymi chegou logo em seguida e mirou nele, para tentar defender a gente. Ele saiu correndo  atirando, atrás dele, e assustou os atiradores”.

Segundo o casal, o ataque foi uma forma de vingança da parte dos madeireiros, após serem proibidos pelos índios de retirar madeira da reserva. Ainda de acordo com o cacique Naraymi Suruí, após os madeireiros serem flagrados levando toras de castanhas no caminhão,  o pai de Naraymi teria discutido com um deles. Tal discussão teria resultado na quebra do para- brisa do caminhão do madeireiro.

De acordo com os indígenas, esse problema não acontece apenas nas terras Suruís e sim em todas as terras indígenas de Rondônia. “Os madeireiros entram em todas as terras indígenas do estado, para retirar madeiras de forma ilegal, quando tentamos impedir, sofremos represália. Estamos vivendo com medo ” finaliza um dos indígenas.

O Ministério Público, Funai  e Polícia Federal, continuam acompanhando o caso.


Fonte: Redação Tribuna Popular