Jornal Tribuna Popular

A história do Jornal Tribuna Popular

A história do jornal Tribuna Popular está intimamente ligada ao desenvolvimento da Amazônia. A implantação das políticas desenvolvimentistas do Governo Militar e a propaganda estatal atraíram, a partir da década de 1970, um grande contingente populacional para o Estado de Rondônia. Após este auge da colonização de Rondônia, surge em 1980, o primeiro jornal do município de Cacoal.

Adair Antônio Perin nasceu em nove de março de 1953 na cidade de Chapecó, Santa Catarina. Filho de pais gaúchos, Perin e sua família mudaram para o Paraná, quando ele ainda era criança. Naquele estado, a família vivia basicamente da agricultura, tendo em curtos períodos, se dedicado a pequenos comércios, como um pequeno hotel e também um bar.

Foi ainda no Paraná que Perin teve a primeira experiência com o escrever e publicar. Quando cursa o ensino fundamental em uma escola de Toledo, Perin e um amigo decidiram publicar um pequeno jornal estudantil. No início O Reflexo era impresso em um mimeógrafo, com quatro páginas. Este abordava assuntos do ambiente escolar e era custeado por Perin e seu colega que, muitas vezes, contavam com a colaboração de alunos e professores da escola. A publicação escolar que era impressa em mimeógrafo foi, posteriormente, reproduzido em uma gráfica da cidade, como relata Perin:

“Nós tivemos acesso a uma gráfica, para fazer um outro material impresso (a parte), e nós comentamos com a dona da gráfica que nós imprimíamos um jornalzinho estudantil no mimeógrafo, daí a dona da gráfica sugeriu da gente imprimir na gráfica. Ela fez um orçamento pra gente e tal, daí sim nós fomos atrás de patrocinadores para poder imprimir o jornal. Daí nós começamos a ir atrás de publicidade e o jornal começou até a ser rentável. Nós pagávamos as despesas e ainda sobra um dinheirinho no caixa. Quando nós imprimíamos em mimeógrafo, nós distribuíamos uns 200 exemplares pela escola, mas depois, quando começamos a imprimir na gráfica, passamos a atender a todo o alunado da escola, passava de 400 exemplares”.

Foi a experiência neste jornal estudantil que ofereceu a Perin a chance de trabalhar em um jornal da cidade. A gráfica onde Perin imprimia O Reflexo era a dona do jornal Voz do Oeste, da cidade de Toledo. Assim surgiu a proposta para que o jovem trabalhasse na área comercial do semanário. Esporadicamente, Perin escrevia matérias sobre assuntos diversos. O trabalho no jornal Voz do Oeste era feito nos horários vagos de Perin, que também acumulava a função de contador na prefeitura de Toledo.

Quando ainda trabalhava no jornal e na prefeitura, Perin resolveu visitar alguns parentes que, em 1972, se mudaram para Rondônia. Esses parentes, pais, irmãos e cunhados, vieram para Rondônia influenciados pela propaganda do governo federal para colonizar a região. Em busca da terra fácil, parte da família de Perin e muitas outras famílias do Brasil se mudaram para o então Território Federal de Rondônia.

Perin conheceu Rondônia em 1979, quando visitou os parentes na cidade de Cacoal. A sua primeira impressão da nova terra foi boa, como conta o próprio jornalista: “A gente fez uma opção de vir conhecer Rondônia e nos entusiasmamos com Cacoal, que era na época, aquela vibração toda [...] como todo o pessoal, tinha o sonho da terra. [...] Era uma cidadezinha pequena, com muita poeira. Praticamente todas as casas eram de madeira. Mas um movimento muito grande, muito animador. O pessoal era entusiasmado, alegre e a gente se envolveu nessa onda aí também, e resolvemos vir pra cá. [...] A minha irmã que morava aqui sabia que eu trabalhava na prefeitura lá de Toledo e disse que era fácil arrumar um emprego aqui em Cacoal, e ela foi junto comigo falar com o prefeito. Aí eu lembro que o prefeito olhava a minha carteira de trabalho e analisava, ele fez algumas perguntas, [...] aí eu expliquei tudo pra ele e ele disse: “Pode vir, você está contratado” e para ganhar um pouco mais do que eu ganhava em Toledo. Não teve como deixar de vir”.

Apesar do grande fluxo migratório e das milhares de pessoas que chegavam à Cacoal, a mão de obra especializada na cidade era pouca. Dessa forma, por possuir certa experiência na área de contabilidade, Perin foi contratado de imediato, quando fazia apenas uma visita aos parentes. Com a proposta de trabalho, Perin voltou ao Paraná, convenceu a esposa Leane e se mudaram para Rondônia, ainda em 1979.

Com menos de um ano morando em Cacoal, Perin notou a ausência de veículos de comunicação na cidade. As informações que chegavam de fora, geralmente vinham com atraso, já na cidade, as notícias eram transmitidas apenas por um alto-falante. Neste cenário, Perin decidiu montar um jornal e em 1980, com apoio da prefeitura municipal, o jornalista fundou o jornal Tribuna Popular: “A ideia (de montar um jornal) foi logo que eu cheguei. Eu estava acostumado no meio da comunicação e aqui não existia nada. Só existia um serviço de alto-falante, não tinha jornal. O jornal que vinha de Porto Velho chegava uns três ou quatro dias atrasado. Na televisão a programação era toda atrasada. O fantástico de um domingo a gente assistia no outro domingo e assim por diante. Então a gente viu que tinha essa lacuna e a gente entendia que com um jornalzinho a gente podia ajudar muito, daí a gente teve a ideia de começar este trabalho”.

Com o intuito de publicar o seu jornal, Perin foi à busca de anunciantes para custear a edição. Os empresários gostaram da novidade e aceitaram investir na veiculação de seus anúncios. No entanto, a falta de hábito e a falta de confiança ainda persistiam nesta relação comercial, pois estes empresários só pagariam a Perin quando vissem seus anúncios devidamente impressos na edição. Para contornar esta dificuldade econômica, Perin conta como conseguiu publicar a primeira edição com a impressão feita na gráfica do extinto jornal O Guaporé:  “Sem dinheiro a gente tentou fazer o jornal. A ideia minha era que eu levantasse uma quantidade de anúncios suficiente para pagar o jornal e obter um pequeno lucro em cima. Eu reuni todas as matérias e anúncios e fui a Porto Velho para imprimir o jornal. Mas eu fui sem dinheiro, só com o dinheiro para cobrir as despesas da viagem. Eu entendi que se eu chegasse lá e desse um cheque, a pessoa esperaria alguns dias até que eu chegasse, apresentasse a edição do jornal, recebesse o dinheiro da publicidade e pagasse a edição. Daí, para o meu engano, na hora da edição pronta, o cidadão, dono da gráfica, seu Hermano Pontes Pinto, que era o dono do jornal “O Guaporé” onde eu imprimia a edição, não quis liberar a edição pra mim. Aí eu tive que, no desespero, procurar uma forma de trazer a edição, para receber e poder pagar. Daí eu contei com o apoio de uma pessoa que era uma autoridade no estado, ela me ajudou a liberar a edição para eu levar para Cacoal, mediante a apresentação de um cheque para poucos dias. Quando eu cheguei a Cacoal recebi as publicidades, daí eu consegui cobrir os cheques e levantar um lucro para a próxima edição”.

Foi assim, com todas as dificuldades da época, que Perin conseguiu montar um jornal em uma região em plena colonização. Com dez páginas e com uma tiragem de 3.000 exemplares, o primeiro número do jornal trazia notícias de novos moradores que chegavam à região, o anseio da população por instituições de ensino e a implantação de um ônibus entre Cacoal e a capital, Porto Velho.

Após a distribuição da primeira edição, Perin começou a receber o pagamento dos anúncios e acertou as contas, o que facilitou as negociações das próximas edições. No início, a circulação do jornal Tribuna Popular era mensal, pois as dificuldades eram grandes, principalmente, na sua distribuição, pois as estradas que interligavam as cidades do interior de Rondônia não eram pavimentadas, inclusive, entre Cacoal e Porto Velho.

 

As primeiras mudanças

Após dois anos imprimindo o jornal na gráfica tipográfica do jornal O Guaporé, em Porto Velho, Perin começou a imprimir o jornal em Manaus, na gráfica do jornal A Crítica. A mudança aconteceu, porque em Manaus o jornal seria impresso em maquinário Off-set, o que melhoraria a qualidade da impressão.

O contato com a gráfica de Manaus possibilitou a Perin encontrar máquinas que ele poderia comprar para formar a sua própria gráfica. Dessa forma, em 1983, Perin conseguiu inaugurar sua primeira gráfica. A primeira edição, em maquinário próprio, foi produzida em agosto de 1983, sendo que para isso, o jornal voltou a ser impresso no maquinário em sistema tipográfico. “Em partes foi bom, pois acabaram as viagens e alguns outros custos, por outro foi difícil, porque tive que trazer profissionais de fora e quando dava problema nas máquinas tinha que vir técnicos de outros estados. Só começou a melhorar quando começamos a investir em profissionais da cidade”.

Nos primeiros anos do jornal Tribuna Popular, entre 1980 e 1984, as propagandas governamentais foram de extrema importância para que Perin pudesse mantê-lo. À época, os serviços básicos de infraestrutura ainda eram precários, o que dificultava a produção e impressão do jornal. Entre os fatores que mais dificultavam, estavam as constantes interrupções de energia e a péssima qualidade das estradas. Apesar de ter contratos privados de publicidades, eles não eram suficientes para manter o jornal em longo prazo, por isso a importância das propagandas institucionais do governo. “A prefeitura a gente já contou com o apoio desde o início, antes que o jornal circulasse. Mediante as publicações, a gente apresentava as faturas e recebia. Não era tão burocrático quanto é hoje. O governo demorou até um tanto para começar a anunciar. Depois começaram a desenvolver algumas campanhas, daí a gente começou a divulgar as publicidades que tinham e assim conseguimos ir mantendo o jornal”.

Através das propagandas governamentais e também de reportagens sobre Cacoal e o Estado, divulgadas no início da década de 1980, o jornal Tribuna Popular tem sua parcela de responsabilidade no desenvolvimento da região. De acordo com Perin, muitas pessoas que vinham visitar Rondônia levavam consigo exemplares do jornal para mostrar às pessoas das outras regiões como era o estado de Rondônia, assim dispõe o próprio Perin: “Ah, eu acho que sim (o jornal contribuiu com a divulgação do desenvolvimento de Rondônia), porque tudo girava em torno de uma amplitude para divulgar o objetivo de criação do Estado e era aquela expectativa do povo. Estávamos todos vinculados nos acontecimentos. Era uma forma de altruísmo, perseverança, então a gente anunciava e o pessoal prestava atenção mesmo, pegavam, liam. [...] Além disso, muitas pessoas utilizavam o jornal para poder convencer parentes que não queriam vir para cá, que temiam pelo futuro. Daí esses anúncios eram mandados pra fora, e o pessoal se convencia e chegava cada vez mais gente.  Isso não só através do Tribuna Popular, mas de vários veículos também, que utilizavam para poder divulgar e atrair mais gente para Rondônia. Como a gente falou né, era considerado o novo El Dourado, então a propaganda era muito grande para atrair o povo, e a gente acaba sendo seguido pelo povo. Aqui tinha terra, então faziam a propaganda que o futuro de cada um era vir pra cá”.

O jornal Tribuna Popular foi criado em 1980 e é um dos poucos jornais que sobreviveu às dificuldades financeiras da região. É hoje o jornal mais antigo do interior do estado de Rondônia ainda em funcionamento e o segundo mais antigo do Estado, ficando atrás apenas do Jornal O Alto Madeira, da capital Porto Velho.

 

Tribuna Popular hoje

Impresso em maquinário offset Tribuna Popular tem tiragem de 3 a 5 mil exemplares e é distribuído, além de Cacoal, nas principais cidades da região central do estado de Rondônia: Pimenta Bueno, Espigão d’Oeste, Rolim de Moura, Presidente Médici, Ministro Andreazza e ainda exemplares são distribuídos na capital Porto Velho. “Também distribuímos o jornal via Correio, para pessoas que moravam em Cacoal e se mudaram, mas ainda querem receber o jornal. De vez em quando também mandamos para Brasília. E às vezes algumas empresas de fora também solicitam exemplares do nosso jornal”, confirma Perin.

A equipe do jornal Tribuna Popular é composta pelo jornalista Adair Antônio Perin, e por seus filhos, a jornalista Giliane Perin e o diretor administrativo Tales Donat Perin. Na diagramação do jornal, trabalha Moisés Oliveira. Na impressão do jornal está Rodrigues da Silva.  Além do quadro fixo de funcionários, o jornal conta ainda com os colunistas e colaboradores Jusmar Lustoza, Francisco Xavier, Thiago Barisson, José Anísio Bianchi, Seneval, bem como com o jornalista Daniel Paixão.

O jornal é semanal e circula as sextas-feiras. Com tamanho Standart, Tribuna Popular mantém a impressão em preto e branco, sendo que, apenas o cabeçalho da primeira página é impresso na cor verde.

A quantidade de páginas nas edições do Tribuna Popular varia entre 12 e 24 páginas. Além de notícias e propagandas, o jornal veicula as colunas e artigos de seus colunistas e colaboradores