Daniel Paixão
Daniel Paixão

Coluna

Papudiskina

Papudskina - 06 de outubro de 2017

Concorrência não qualificada, porém barulhenta
Publicado em: 06 de Outubro de 2017

Com o surgimento da internet, muita gente previu o fim do jornalismo impresso, quer seja através de jornais, quer seja através de revistas. Mas se for assim, analogicamente, também se pode prever o fim dos livros impressos e a substituição pelas edições digitais para todos os setores de mídias. 

 

Mas não será assim. Os jornais impressos, as revistas e os livros ainda resistirão por mais algum tempo. Apesar disso, não há como negar uma concorrência das mídias sociais, tais como WhatsApp, TwitterFacebooksó para se citarmos algumas delas. A grande sacada dessas redes sociais é a rapidês como se propaga. Só que a pressa já dizia nossos avós é a inimiga da perfeição. As redes sociais estão longe de serem confiáveis. Esses canais tem um fluxo imenso de boatos, mentiras e meias verdades, o que as torna como fonte não confiáveis e tudo o que emana dessas redes carecem primeiro de alguma checagem de validade. 

 

Não existe fonte melhor para se verificar aquilo que se propaga nas mídias sociais do que o velho e bom jornal. Mas temos de reconhecer o esforço tremendo que pioneiros como o Adair Perin, da Tribuna Popular (como exemplo), fazem para manter vivo esse ideal. Muitos estão realmente sucumbindo frente à capilaridade das redes sociais. No final de setembro, por exemplo, o Alto Madeira, o jornal mais antigo de nosso estado, anunciou o fim de suas operações como jornal imprenso. 

A alegação, claro, foram os entraves financeiros. Hoje quase ninguém mais anuncia na mídia impressa. Por onde quer que olhemos, existem concorrentes desleais. Entre eles, FacebookYoutube, Google, Bing, Yahoo, e tantos outros. Esses novos atores, embora não sejam órgãos de imprensa, se comportam como tal e vende anúncios em forma de clicks que giram em torno de centavos. Assim fica muito difícil. 

 

Os próprios órgãos de governo, que antes representavam um aporte importante de recursos para os jornais, como forma de ajudar o país a evoluir, incentivar a leitura e premiar aqueles que ajudavam a democratizar as informações, também assumiram um comportamento hostil à imprensa nos últimos anos. Não são poucas as vezes que agências publicitárias apresentam valores insignificantes para a imprensa, exigindo dos donos de jornais e revistas, descontos absurdos. Até onde sei, não são descontos normais, em forma de pechincha, para buscar um preço menor. As agências impõem o próprio preço que querem pagar e os jornais são obrigados a aceitar a proposta ou então sujeitam-se a serem desclassificadas como canais para divulgar os atos oficiais. 

 

Por falar em atos oficiais, e não vai aqui uma crítica, mas mera observação, os diários oficiais estão substituindo as publicações em jornais tão comuns em outras épocas. Mas a questão é que . os leitores tem costume de ler esses sites da imprensa oficial. Assim, os órgãos públicos economizam uma nota, mas nem todas as publicações podem ser feitas nesses diários. Afinal de contas, se o objetivo é a disseminação de determinada informação, esses veículos não servem para tal finalidade, posto que raramente são lidos. 

 



Fonte: Daniel Oliveira Paixão

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