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Coluna do Xavier CACOAL: A POLÍTICA, O GOVERNO E AS ELEIÇÕES...

14 de julho de 2017
Publicado em: 14 de Julho de 2017

A campanha eleitoral em Cacoal, no ano passado, foi marcada por diversas promessas de apoio que partiram de autoridades da esfera estadual de poder. A maioria dos compromissos eram relacionados com a candidatura da então deputada Glaucione Neri, que mudou para o PMDB com a finalidade estar no partido do governo. Naquele período, muitos eleitores também entendiam que votar em uma pessoa ligada ao governo poderia ser algo bom para o município. Hoje, depois da eleição encerrada, há algumas poucas vantagens e muitas cobranças da população, já que as coisas mudaram um pouco depois da eleição...
Claro que ainda é cedo para cobrar determinadas ações, mas alguns fatos já deixaram claro que as coisas não são bem assim. Para citar um exemplo, a relação de cordialidade que havia entre a então candidata e o sindicato dos servidores municipais mudou muito. Agora, a prefeita dialoga com os servidores no âmbito do judiciário e através de seus advogados. Dificilmente a paz vai reinar entre as partes, como era antes, porque os ânimos se exaltaram. Poucos dias atrás, a administração acionou a justiça, para acabar uma greve no município. O sindicato recorreu da decisão e até hoje o STF não se manifestou.
Entre os problemas da administração está o fato de que muitas pessoas sem a qualificação necessária foram colocadas em cargos importantes da administração apenas para se manter caladas ou para bajular a administração, mas não servem tecnicamente para nada. Mesmo assim, é bem complicado para a prefeita exonerar determinados asseclas, já que há os compromissos feitos em campanha, ou até mesmo depois, não permitem. É possível observar, com extrema facilidade, que a prefeita sofre muitas pressões para nomear pessoas ou para manter pessoas despreparadas em cargos muito complexos. Governar vai muito mais além do que imaginava a prefeita, quando era deputada. Ter mandato é fácil, o problema é fazer um governo tão ecumênico, politicamente, como é o caso de Cacoal. Essa influência política na administração, promovida por pessoas que defendem apenas interesses individuais, causa um desgaste muito grande na prefeita e  na administração.
Uma lida rápida no Plano de Governo que a prefeita encaminhou à Justiça Eleitoral antes da eleição mostra que há desencontros colossais. Se a prefeita tivesse tempo para ler o plano apresentado por ela, certamente ela ficaria decepcionada, porque é bem diferente da realidade. O setor de saúde do município está há seis meses sem conseguir fazer uma licitação para a aquisição das coisas mais básicas que uma unidade de saúde pode ter. E não é má vontade das pessoas, a secretária vai atrás, tenta, planeja, projeta. O problema é que não acontece nada, pois para determinados cargos é preciso conhecer e saber fazer. A vontade e o esforço não bastam. Quantas coisas o secretário de obras ou do meio ambiente gostariam de fazer? Certamente muitas coisas! Mas querer fazer e saber fazer são coisas bem diferentes...
Muita gente vai dizer que as coisas estão caminhando e que tenho que ter paciência e que as coisas vão acontecer. Poucos dias atrás, a prefeita deu uma entrevista na rádio e declarou que não tem feito as coisas como gostaria porque o orçamento “não é dela”. Esse argumento me causa muita tristeza. Claro que o orçamento é dela! Embora eu já tenha citado isso aqui, vou fazer outra vez: a prefeita é a pessoa que controla o orçamento e pode fazer nele todas as alterações que quiser, tanto que tem feito. Além de controlar o orçamento, ela tem o controle total da Câmara de Vereadores. Todos, absolutamente todos, os projetos que foram enviados da prefeitura para a câmara foram aprovados. A maioria deles não foi nem discutida. Vários vereadores votam a favor de projetos ali, sem saber o conteúdo. A própria prefeita disse na entrevista que não pode reclamar da câmara. E não pode mesmo! Até aqueles vereadores que ela chamou de irresponsáveis defendem os projetos que ela manda, sem fazer nenhuma ressalva. 
Essa história de dizer que o orçamento “não é dela” pode criar uma expectativa para o próximo ano que vai deixar a prefeita em mais uma saia justa. Ao dizer isso, ela sugere que vai fazer tudo que não faz hoje com o orçamento do próximo ano. Sinceramente não dá para aceitar esse tipo de argumento. Todo mundo sabe que recursos para investimentos não dependem de orçamento, porque, em geral, esses recursos são frutos de ajudas externas. No próximo orçamento, os recursos da saúde vão continuar sendo da saúde, os da educação também e assim por diante, porque eles são vinculados e não podem ser alterados. Aí sobra o que? Sobram os mesmos recursos que ela está remanejando e usando onde quer hoje. E não tem nada de errado em remanejar, porque esses recursos estão dentro dos limites de desvinculação. Durante suas falas, a prefeita tem dito uma coisa que concordo plenamente: ela diz que não sabe o que seria de Cacoal, sem as coisas que o governo do estado está fazendo. Concordo! As poucas coisas que aconteceram foi o governo que fez.
Com a chegada do próximo ano e com as eleições gerais, a situação pode ser bem diferente, porque até hoje o quadro está muito indefinido. Minha sugestão para nossa prefeita é esperar as eleições e depois se filiar ao partido do governador que vencer, porque muitas coisas vão acontecer. Com o clima que temos hoje no cenário político do estado, até um dos dois filósofos da honestidade pode ser eleito governador e ninguém pode dizer que tais previsões são absurdas, porque a única lógica hoje é que ninguém sabe o que vai dar... Tenho dito!!!
 
FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor da Rede Estadual
 


Fonte: FRANCISCO XAVIER GOMES - Professor da Rede Estadual

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