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Coluna do Xavier - 10 de novembro de 2017

CACOAL: A POLÍTICA, A CULTURA E O CRISTO REDENTOR...
Publicado em: 10 de Novembro de 2017

A população de Cacoal vive, nos últimos anos, muitas decepções com políticos da região, fato que não é uma exclusividade da Capital do Café, mesmo porque nosso país está atolado em um mar de lama infinito há décadas, embora muitas pessoas, por pura falsidade, tentem atribuir todas as mazelas a um ou outro partido isoladamente. Claro que essa onda de corrupção generalizada no Brasil não impede as pessoas de caminharem de maneira diferente, propondo que hábitos menos degenerativos influenciem os habitantes. Certamente que esta foi a ideia que tiveram as pessoas da Comunidade Santa Terezinha, na Linha 10 do município de Cacoal, quando decidiram edificar o monumento do Cristo Redentor no município. Para os que não sabem, a Linha 10 é onde residem muitos membros da família Folli, uma das famílias mais conhecidas da região.
 
As pessoas que acompanham esta coluna devem lembrar que comentei aqui sobre diversos atrativos inaugurados no município nesses últimos anos, como é o caso do Cacoal Shopping, da Havan e do próprio Hospital Regional de Cacoal, obras que na minha concepção fazem parte de um pacote que melhorou muito a imagem da cidade e colocou a cidade de Anísio Serrão entre os destaques do estado de Rondônia. Todos esses empreendimentos, na minha ótica, são importantíssimos para Cacoal, mas estão longe de representar a ideia colocada em prática pela Comunidade Santa Terezinha, localidade onde reside o ex-vereador  Natin Folli. A obra idealizada pelos moradores da Comunidade Santa Terezinha e executada com a força da comunidade, especialmente da Linha 10, é realmente uma coisa marcante, pela ousadia, pela determinação e pela independência com que foi conduzida. Pelas informações que tenho, o Cristo Redentor de Cacoal foi construído apenas com recursos da comunidade, sem nenhuma ajuda de políticos e se tornou o principal monumento religioso do município. As pessoas que tiveram essa ideia realmente merecem elogios.
 
Algumas pessoas podem estranhar o fato de eu fazer alusão ao pioneiro Anísio Serrão em um texto onde comento sobre o Cristo Redentor construído pela comunidade e com a participação efetiva da família Folli. A questão é que o pioneirismo que defendo aqui é o genuíno e não o pioneirismo de ocasião. Anísio Serrão e a Família Folli são dois exemplos de pioneirismo autênticos, aquele tipo de pioneirismo que não se resume a bajular pessoas antigas do comércio, apenas pelo hábito de bajular. Claro que Cacoal tem comerciantes pelos quais tenho um carinho especial, como é o caso do Joaquim Ribeiro, o Português, porque ele também é original, simples, verdadeiro... Ao citar o Português, o faço para que as pessoas não pensem que sou contra os comerciantes. Lógico que não sou!! O Joaquim Ribeiro está entre os empresários com quem gosto de bater papo e conhecer suas histórias. Anísio Serrão, porém,  deixou um legado para Cacoal e seu legado se confunde com a história do município. O Cristo Redentor de Cacoal será, igualmente, um legado deixado pelos Folli e pela comunidade da Linha 10 para a população de Cacoal, porque a ideia parte do ponto de atender a cultura da cidade e não a conta bancária dos idealizadores. 
 
O Cristo Redentor de Cacoal não é um símbolo exclusivo para os católicos. É um símbolo de amor à cultura, de dedicação à fé, de carinho pela cidade, de opção turística e de visão coletiva. Para mim, o ponto forte da ideia foi pensar no coletivo... A ideia do Cristo Redentor mostra que é possível pensar em coisas simples e nobres, muito nobres. Os políticos famosos do estado de Rondônia que visitarem o Cristo Redentor de Cacoal ficarão impressionados ao descobrirem que obras grandiosas podem ser construídas sem corrupção, sem pedir propina, sem empresas fantasmas, sem emendas fraudulentas. A força da Comunidade Santa Terezinha precisa ser destacada como exemplo para as futuras gerações de políticos. Como as famílias da Linha 10 são pessoas de excelente formação moral, o Cristo vai ser visitado não somente pela comunidade católica de Cacoal, mas por todas as famílias evangélicas, budistas, espíritas, umbandistas e todas as demais pessoas das mais diversas religiões de nosso país. As pessoas que não possuem religião também serão bem recebidas, com certeza! Agora a Linha 10 é um ponto turístico de Cacoal e isso precisa ser registrado com alegria, como um patrimônio da região e do estado de Rondônia.
 
Como o Cristo Redentor de Cacoal foi construído sem nenhum recurso público, eu vou poder visitar sem a preocupação de encontrar nenhum político desses chatos dizendo que trouxe a obra para Cacoal. Seria bem melhor até se a Comunidade Santa Terezinha proibisse os políticos de fazerem discursos em eventos no local, porque eles acabam dizendo que fizeram a obra. Quando houver oportunidade vou convidar os dois filósofos da honestidade para fazermos uma visita e conhecer o trabalho e a força da comunidade. Se os filósofos da honestidade se recusarem, vou ter que convidar um dos ideólogos da portaria, porque esse tipo de atrativo precisa ser admirado e difundido, para que possa se consolidar. Finalmente registro, mais uma vez, meu carinho pela família Folli e por todas as famílias da Comunidade Santa Terezinha, que realmente deram um exemplo de cidadania, de religiosidade, de fé, de esperança  e força... Tenho dito!!!
 
FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor da Rede Estadual


Fonte: FRANCISCO XAVIER GOMES - Professor da Rede Estadual

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