Francisco Xavier
Francisco Xavier

Coluna

Coluna do Xavier

CACOAL: A POLÍTICA, OS ELEITORES E OS GRUPOS POLÍTICOS...

01 de dezembro de 2017
Publicado em: 01 de Dezembro de 2017

Os recentes fatos políticos no município de Cacoal deixam cada vez mais cristalina a ideia sobre a existência de grupos políticos bem definidos na Capital do Café. Esses grupos são, na realidade, uma marca da cidade e,por mais que alguém queira negar, não existe uma única pessoa que não esteja incluída nos grupos, conforme o perfil que fica muito evidente na cidade...
No aspecto social, há um grupo somente, representado pelas pessoas que consideram Cacoal uma cidade boa para viver e de boas oportunidades, fato que realmente se constata observando as características da cidade. Não há violência em escala que possa tirar a qualidade de vida, existem excelentes restaurantes, faculdades e as condições de moradia são bem estruturadas. Logicamente que a partir do dia 26 de novembro, quando a cidade completou 40 anos de emancipação, não dá mais para ficar com aquele papo provinciano de pioneirismo. Para ser a cidade que é hoje, Cacoal precisa admitir a ideia de que está aberta a todas as pessoas e a todas as ideias. A existência de centenas de tendências religiosas na cidade é a prova de que há pessoas para todos os tipos de credos. É importante que fique bem claro que não tenho absolutamente nenhum problema com nenhuma religião, mas a teocracia não pode ser a tônica em uma cidade tão diversificada.
No campo da política, a impressão que fica pela evolução social do município, é de que existem basicamente quatro grupos políticos muito distintos e que nos próximos cem anos não terá sofrido nenhuma alteração. A ordem de classificação não é o objeto da análise e nem faria diferença nenhuma, porque não mudaria a realidade da sociedade e muito menos mudaria as pessoas que compõem tais grupos. O primeiro grupo, e omais povoado que existe, é formado pelas pessoas que gostam de ficar do lado de quem vence as eleições em Cacoal, não importando quem venceu e nem de que forma atua na política. Isso justifica a razão pela qual há eleitores que se declaram para mais de um candidato e chegam a fazer juras de amor. Pela mesma razão, há os que nunca declaram o voto a ninguém antes das eleições e esperam as urnas se abrirem para participar da passeata. Esses são tão numerosos que cada pessoa que fizer a leitura desta coluna vai lembrar de um nome diferente. No caso dessas pessoas, a ideologia é uma palavra sem nenhum sentido e que não serve para nada a não ser para inspirar cantores como Cazuza...
O segundo grupo é formado pelas pessoas que tentam ganhar para não ficar fora do poder, mas quando o resultado das urnas é insuficiente, mudam para o grupo anterior, mediante propostas umbilicais. Neste grupo é muito comum a existência de elementos que costumam fazer críticas ao grupo anterior, até serem chamados, cooptados ou forçados a entrarem no grupo que nunca sai do poder. Lógico que quando entram no grupo do poder também não fazem nada, porque seus interesses são meramente pessoais, embora tenham a mania de declarar amor à cidade. Na realidade, esse grupo é uma espécie de sucursal do anterior e por este motivo os componentes se revezam entre os grupos. Em geral, esses dois grupos são controlados politicamente por pessoas de outras cidades, como governadores, senadores, deputados, empresários, líderes religiosos, falsos líderes religiosos e outras pessoas do universo político, como Bolsonaro, Michel Temer e outros valdomiros da vida...
O terceiro grupo é formado pelas pessoas que se opõem aos dois, possuem coerência no discurso e na prática, possuem excelente condição técnica, mas dificilmente teriam ovelhas ou fieis em número suficiente para chegar ao poder no âmbito municipal. Entretanto, o grupo é formado de elementos que não admitem se curvar para a hipocrisia dos outros grupos, já que filosoficamente falando seria contraditório. Logicamente que um dia esse grupo será mais amplo e conseguirá mostrar as incoerências dos outros, buscando um espaço em que a coletividade tenha condições de sair ganhando. O forte desse terceiro grupo é não ser controlado politicamente por falsos líderes e nem ser dominado por divindades locais ou regionais, embora, não raro, ocorram evasões, o que pode ser perfeitamente compreensível, uma vez que a teoria de Jean Paul Sartre não pode ser esquecida nesta análise, nem pelos componentes de nenhum grupo, nem por quem avalia, porque a essência é uma coisa intrínseca do ser humano. Este parágrafo foi construído para abrigar não somente as pessoas efetivas do grupo aludido, mas para que os filósofos da honestidade não pudessem ficar de fora da coluna. Eles podem até não ter espaço cativo na oposição, mas também não podem ser tipificados como pelegos ou arrivistas do capitalismo, da teocracia ou do pioneirismo cacoalense. O lugar dos filósofos é privilegiado...
Claro que há outros dois ou três grupos bem menores, mas vamos finalizar apresentando o perfil deste quarto que também é numeroso em Cacoal. O quarto grupo é formado pelas pessoas que já chegaram a possuir sinecuras em diversos momentos da política cacoalanse, mas que por uma razão ou por outra preferiram o ostracismo, ou foram submetidas a ele. Esse grupo tem o perfil das pessoas que muitas vezes possuem perfil técnico até bom, mas que não conseguem harmonizar muito bem o sentimento dos primeiros; não tem a mesma disposição do segundo; não tem a mesma personalidade do terceiro e acabam se perpetuando no quarto grupo. Em algumas situações, as pessoas do quarto grupo foram morar em outros lugares e aparecem apenas para visitar Cacoal, como se esperassem ainda uma oportunidade para que a cidade volte a ser politicamente como era no século XIX ou XX. Enquanto meu leitor identifica amigos em cada grupo, vamos ficar na torcida para que a Câmara de Vereadores tenha um novo presidente que tenha ao menos o perfil do Paulinho que tem conduzido o cargo sem comprometer a imagem da cidade e o pioneirismo cantado em prosa e verso por muitas pessoas. Aproveito o espaço para declarar meu repúdio a quem entende que uma cidade com o perfil de Cacoal tenha na presidência do Legislativo uma pessoa com pensamento de caramujo...Tenho dito!!!
 
FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor da Rede Estadual
 


Fonte: Francisco Xavier

Mais de Francisco Xavier