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CACOAL: A POLÍTICA, O LIXO, OS ADEREÇOS E AS ALEGORIAS...

Coluna do Xavier 09/02/2018
Publicado em: 09 de Fevereiro de 2018

A população de Cacoal passou os últimos dias irritadíssima, por causa da situação relacionada com a cobrança da taxa de lixo, estabelecida pela Câmara de Vereadores do município, contendo valores estratosféricos e impraticáveis, jamais vistos em algum outro município. Em muitos casos em que as pessoas pararam para fazer as contas, os valores passaram da casa dos 400% de aumento, fato que realmente resulta em indignação. A primeira reação da maioria dos vereadores e da administração foi tentar encontrar culpados para a lambança, mas esta situação precisa ser avaliada com a devida serenidade...
Antes de qualquer análise precipitada, é importante salientar que o SAAE, autarquia de água do município, presta excelente serviço à população e tem funcionários de muita qualidade, fato que não pode ser esquecido no debate. Além disso, o SAAE é uma empresa que dá lucro e fornece água de qualidade para a população cacoalense, coisa que não acontece nos municípios onde a CAERD faz este serviço. Não por incompetência dos servidores da CAERD, mas porque a velha companhia de água de Rondônia faliu e provocou um dilúvio de problemas no estado. Assim, é preciso ficar claro que o SAAE não criou nenhum problema para ninguém e talvez seja uma das raras coisas que funcionam hoje no município. O papel do SAAE, neste imbróglio, todo foi apenas entregar o boleto nas residências e endereços comerciais do município. Quem encaminhou o projeto foi a prefeita, quem aprovou foi a Câmara e quem fez as contas foi a Secretaria de Fazenda do município. Esta é a verdade!
Outra coisa que precisa ficar clara é que não houve má fé de nenhuma das pessoas envolvidas no caso e isto também deve ser falado com clareza. Não se pode confundir incompetência com má fé. São coisas muito diferentes. Todos os adereços e alegorias, para aludir ao período momesco, colocados nas contas de água do contribuinte, foram apenas o resultado de muita barrigada, principalmente da Câmara de Vereadores. Tornou-se tradição no legislativo municipal votar projetos sem fazer os estudos devidos e isso precisa mudar, para evitar que a população tenha mais prejuízos, que não foram poucos até hoje. Apenas para citar um exemplo do começo da tradição legislativa cacoalense, as aulas da rede estadual começaram há dez dias e até hoje as crianças dos bairros Jardim Paineiras, São Marcos e Alfa Park estão de carona, de mototáxi ou a pé, enquanto os vereadores estão caladinhos. Muita gente não lembra, mas quando foi votado o projeto para a contratação de ônibus, todos eles disseram que fariam uma fiscalização intensa. Alguns chegaram a dizer que seriam uma pedra no sapato da administração, na fiscalização do transporte escolar. Tudo papo furado!! E isso tem uma explicação: nos ônibus escolares não existem filhos de vereadores, da prefeita, de juízes, promotores... E vai aparecer alguém para dizer que as crianças são de escolas estaduais...
Voltando ao lixo de projeto que aumentou a taxa de lixo, precisamos urgentemente de uma lei nacional que obrigue vereadores a praticarem a leitura de projetos que chegam às câmaras de vereadores. Em Cacoal tem muitos vereadores que nunca leram um projeto. Muitos deles votam como manda a administração e sem nenhuma preocupação com o contribuinte. Há vereadores que são convencidos a votar projetos por telefone. Várias vezes, já ocorreu de haver reunião para que a prefeita diga como eles devem votar. E eles votam! Logicamente que não são todos. Pelo menos dois ou três edis procuram agir de forma racional, número que não é suficiente para evitar lambanças como a taxa de lixo. E não foi a primeira vez que o contribuinte foi premiado com esse carnaval de incompetência. Antes teve a situação do ITBI, que muita gente não lembra mais. Algumas pessoas, especialmente os bajuladores da administração, vão dizer que já está tudo bem, que os valores serão corrigidos e que não precisa fazer barulho. Entre os grandes problemas que Glaucione enfrenta nessa administração estão alguns bajuladores mentecaptos que ela contratou para ficarem falando besteiras diariamente nas redes sociais. Até hoje, o Secretário de Fazenda não explicou para a população esse mico do lixo, porque os bajuladores não deixam e isso é muito triste... 
Vale registrar também que a irmã da prefeita, que é presidente do SAAE, jamais concordou que a cobrança de taxa de lixo fosse colocada no boleto de água e ela tinha razão, porque o SAAE teve a imagem arranhada nesse episódio. Injustamente! Caso a presidente do SAAE queira negar o que digo, pode, mas ela sabe que é verdade. Ela teve que engolir a história! Há quem diga nos bastidores que já se cogita alguma mudança na cúpula da autarquia de água, mas isto pode ser apenas alegorias momescas. Aliás, tudo indica que até 2020 não haverá mudanças no primeiro escalão municipal. As pessoas mudam apenas de lugar, mas continuam orbitando o Palácio do Café. Talvez nem os dois filósofos da honestidade consigam explicar a razão pela qual os 100 dias propagados na posse serviram apenas de adereços nesse carnaval da administração. Se o contribuinte tivesse condições de cobrar da prefeita uma taxa pelo lixo político que foi colocado em alguns lugares do primeiro escalão municipal, os valores seriam bem maiores do que esses que aparecem hoje no boleto de água. É lógico que não se aplica a todos os casos, porque tem alguns secretários com excelente preparo e merecedores de confiança, embora não sejam devidamente reconhecidos pela administração.
Finalmente, vale registrar que outras alegorias e adereços ainda serão votadas na Câmara de Vereadores, porque algumas coisas estão encaminhadas. Se as especulações se confirmarem, os vereadores votarão, em breve, a criação de uma mega secretaria municipal e que terá como secretário um moço que tem mais ou menos a escolaridade da maioria dos vereadores, ou seja, não terminou nem o ensino fundamental. É muito curioso que isto aconteça justamente no principal polo universitário do interior do estado e onde há pessoas com extrema capacidade técnica. Quando o projeto da mega secretaria chegar ao legislativo, muita gente já esqueceu a taxa de lixo e os vereadores que gostam de votar sem ler ficarão à vontade para aprovar mais um projeto. Talvez seja interessante colocar no projeto uma taxa sobre o lixo que vai ser essa nova secretaria... Tenho dito!!!
 
FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor da Rede Estadual e Articulista
 


Fonte: FRANCISCO XAVIER GOMES - Professor da Rede Estadual

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